Gratidão e perdão: duas atitudes saudáveis

O que o nosso coração já sabia, a ciência começa a comprovar: gentileza e perdão fazem bem para a saúde e também para o envelhecimento saudável

03/10/2018 - Por Márcia Peltier



A força e a beleza da vida estão, quase sempre, nas trocas. Da natureza que aperfeiçoa seus ciclos até o nosso sofisticado relacionamento humano. Quando a troca é de generosidade, todo mundo ganha muito. Aquele calorzinho bom que preenche o coração. A sensação de estar conectada com as pessoas, com um mundo melhor. E a gratidão.

 

Acontece que essa sensação tão boa não é somente, digamos, uma reação comportamental passageira. A ciência vem comprovando que generosidade, gratidão e perdão são reações que provocam mudanças no nosso corpo. Em especial, no nosso cérebro. Grupos de pesquisadores em todo o mundo, com a ajuda de máquinas cada vez mais aperfeiçoadas para escanear o cérebro, descobriram que esses sentimentos se manifestam fisicamente. E podem inclusive ser benéficos à saúde como um todo.

 

 

Uma equipe da University of Southern California investigou, em 2015, mecanismos neurais para compreender a conexão da gratidão com nossos processos cognitivos. Autor do estudo, o pesquisador Glenn Fox diz em entrevista para o portal Greater Good (conteúdo em inglês) que não importa o tamanho do ato que inspira esse sentimento.

 

“Passar por uma porta que alguém mantém aberta, e atitudes maiores, como receber um rim de um parente, se equivalem na resposta emocional”, afirma Fox.

 

Cientistas descobriram que os sentimentos se manifestam, fisicamente, acendendo áreas do cérebro. E podem ser benéficos à saúde

 

A pesquisa utilizou uma estratégia para fazer emergir esses sentimentos — e assim monitorar a resposta do cérebro: exibiram depoimentos de sobreviventes do Holocausto e aos pacientes pediram que se colocassem no lugar dessas pessoas que foram salvas, às vezes por completos estranhos. Resultado: cérebros inundados pela gratidão tiveram aumento das atividades em duas regiões associadas a emoções, vínculos interpessoais e interações sociais gratificantes. São também as áreas onde se processam julgamentos morais e a empatia, que é a capacidade de compreender os estados mentais dos outros.

 

Outro estudo em curso está a cargo da psicóloga social Wendy Mendes, da Universidade da Califórnia em São Francisco. A pesquisa de Mendes, à frente de uma grande equipe, se encaminha para provar os efeitos positivos da gratidão na saúde e também no envelhecimento saudável. São experiências complexas que ela descreve neste vídeo (em inglês) falando em neuropeptídios e respostas endócrinas... mas que, em última análise, vêm provando os benefícios da gratidão em termos de saúde dos órgãos — rins, coração, pulmões — além de pressão sanguínea muito mais equilibrada e sono de qualidade. O que resulta em longevidade.

 

Mas a gente já sabia disso, intuitivamente. É aquela percepção que as correntes mais espiritualistas da vida já têm: ficar bem longe da panela quente dos ódios e rancores só faz bem, inclusive ao corpo.

 

Aquele calorzinho bom no peito, a gratidão, a generosidade, a conexão afetuosa já tinham nos dado essa certeza. Bom saber que a ciência comprova: se gentileza gera gentileza, gratidão gera também saúde.

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