Histórias de vida: um baú de preciosidades

Histórias de vida: um baú de preciosidades

Livro “Do Fundo do Baú” reúne momentos especiais lembrados por idosos de um residencial geriátrico. Você já ouviu as histórias dos idosos da sua família?

19/12/2018 - por Márcia Peltier



Boas histórias são divertidas ou emocionantes, ou impactantes. Mas as melhores histórias se constroem como poemas: são instantâneos da vida, recortes preciosos de sentimento. No Rio de Janeiro, o Solar da Gávea, dedicado à residência geriátrica, se empenhou em um lindo projeto: o de registrar em livro as histórias dos seus residentes. “Do Fundo do Baú” é uma série que acaba de lançar seu segundo volume, escrito por Anna Osborne.

 

É uma delícia. Nas páginas, encontramos a bela bailarina que era alta demais para seus parceiros. Acompanhamos um reencontro amoroso que levou 50 anos para acontecer. Rimos com a menina que coloriu de diversos tons as pernas dos pintinhos da fazenda para poder chamar cada um pelo seu nome...

 

“Reunir essas lembranças foi um trabalho maravilhoso”, diz Anna, professora formada em Letras. “Era difícil no início, mas aos poucos fui contando episódios da minha vida, junto com a psicóloga Adriana Pol, e muitos residentes começaram a se abrir. Trocando histórias. E aí fluiu.”

 

 

São 25 pequenas crônicas, amarradas em diversos estilos, como flashes coloridos dos acontecimentos que cada um relembra. Anna romanceia a narrativa, e quase dá para enxergar algumas histórias.

 

“Reunir lembranças, um trabalho maravilhoso. E funcionou muito bem quando era uma troca: eu contava e ouvia”
Anna Osborne

A escritora conta que muitas vezes sentiu que os residentes ficavam felizes em sentir que suas vidas tinham interesse para outras pessoas. “Não sei nem escolher minha crônica preferida. São todas especiais”, confidencia.

 

Anna Osborne garante que foi só começar — e ela, que sempre quis ser escritora, sabe disso: lançou seu primeiro livro em 2017, aos 79 anos. Logo depois, veio o convite para esse “No Fundo do Baú”.

 

Uma das residentes contribuiu com nada menos que três histórias. Aos 68 anos, a cientista social gaúcha Bernadette Maia lembrou aventuras como a do Projeto Rondon, em aviões perdidos na selva. Ela própria cultiva cadernos e também pinta telas – “outra forma de narrativa”, diz.

 

“Tive uma infância muito criativa e produzir é fundamental para mim. Quando termino um texto ou um quadro, olho admirada e penso: fui eu que fiz isso!”, descreve, sorridente. “É uma alegria enorme.”

 

No pequeno volume, estão momentos vivos e reais de tantas pessoas que poderiam ser nossos pais, avós, irmãos. Cada um de nós tem histórias para contar, pequenos colares com pedrinhas brilhantes, que a gente amarra numa narrativa com começo, meio e fim. É tão tranquilizador, tão bonito sentir que somos parte da grande família humana.

 

E você já pensou que, à sua volta, podem estar guardadas muitas histórias maravilhosas? Abra espaço para ouvir as lembranças dos mais velhos, e para trocar com eles essas experiências. Quem sabe, para escrever a crônica da sua família? Comece a olhar, comece já. E ganhe colares de memórias preciosas!



Vamos abrir espaço para ouvir os mais velhos. Uma grande recompensa nos espera

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