Inclusão é assunto para a vida toda, desde cedo

Bonecas cadeirantes ou carecas traduzem um novo sentimento a ser cultivado nas crianças

05/06/2019 - por Márcia Peltier



Passei um feriadão em Lisboa há alguns meses e, visitando uma tradicional loja de departamentos, me deparei com uma boneca muito especial.  Linda, suave, alegre e careca, com um lenço cobrindo a cabecinha. Sabe que me emocionei? Pensei nas crianças que fazem quimioterapia e podem se identificar com a bonequinha sem cabelos, como elas. E depois acabei sabendo que essas bonequinhas fazem parte de um projeto de conscientização e de inclusão para crianças. Naquela mesma semana, li que a boneca norte-americana Barbie ganharia uma versão cadeirante!

 

Liguei os pontos imediatamente. Bonecas e bonecos são projeções do mundo à nossa volta. E essas novas versões do brinquedo sinalizam para as crianças uma atitude de aceitação, apontam que as diferenças fazem parte do cotidiano. Somos diferentes uns dos outros, não melhores ou piores.

 

 

E esse nosso mundo tem gente com variados talentos, dificuldades, aparências, ideias, estilos. Um mundo que, idealmente, deveria ter lugar para todas as pessoas, cada uma com sua particularidade. Identificação e aceitação — penso que essas são chaves para uma formação mais generosa das novas gerações. O conceito de inclusão vem pipocando no mundo, sendo discutido, e isso se reflete nessas duas iniciativas do mundo dos brinquedos.

 

Somos diferentes uns dos outros, não melhores ou piores.

Há que se reconhecer: como humanidade, ainda não estamos num patamar tão generoso, que inclui e abraça todos os seres. Mas é na nova geração que se forma o futuro. A psicopedagoga Sonia Maria Braga, diretora pedagógica da Meimei Escola Montessoriana e do Centro de Treinamento Montessori do Rio de Janeiro, abre um horizonte muito amplo nas atitudes inclusivas na educação:

 

“Tudo começa na família. Irmãos são diferentes, filhos não são cópias dos pais”, lembra Sonia. “Educamos o olhar de nossos filhos no respeito às diferenças, pequenas e grandes. Esse olhar pode ser acolhedor ou excludente, depende dessa condução.”

 

A escola, claro, também faz sua parte na continuidade da ideia de inclusão e empatia. O método criado pela italiana Maria Montessori, aliás, é uma das abordagens educacionais que mais incentivam o cuidado com os outros.

 

“A criança cujos pais trazem um olhar de aceitação já terá mais chances de ser generosa com os outros”, continua a pedagoga. “Não se pode querer que uma pessoa seja ótima em tudo, mas há quem espere isso de um filho!”

 

“Inclusão e aceitação começam na família. Irmãos são diferentes, filhos não são cópias dos pais.”

Sônia Maria Braga

Sonia diz uma coisa muito, muito importante: diferenças são ricas. E a gente enriquece com elas. Isso vai desde entender que o nosso filho tem talentos específicos, como arte ou matemática, até praticar a inclusão nos casos mais visíveis, como, por exemplo, o de pessoas com deficiências físicas ou cognitivas.

 

“A Barbie cadeirante é a ponta desse iceberg . É importante para chamar a atenção para o assunto e pensarmos em inclusão da maneira mais abrangente no nosso dia a dia”, diz a pedagoga.

 

É isso. Diferenças não ameaçam, mas enriquecem a vida! Quando abrimos o coração para a essência, para o que nos define como humanidade, a vida ganha brilho, e o inestimável, inigualável e essencial sabor da solidariedade.

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