Menos plástico, vida longa aos oceanos

Ele é prático, e muitas vezes essencial. Mas o excesso de plástico, descartado nos oceanos, sufoca a vida marinha e ameaça o futuro da Terra

15/05/2018 - por Márcia Peltier



Uma notícia vinda da Espanha fez meu coração apertar: uma baleia cachalote foi encontrada morta numa praia da região da Murcia. De seu estômago, retiraram nada menos do que 29 quilos de plástico! Aquele animal soberbo havia sido dizimado por ingerir garrafas PET e sacolas plásticas que vão parar no oceano... O primeiro sentimento que me tomou foi a tristeza. Depois, veio a raiva: como uma vida é tirada assim pela poluição?

 

Logo em seguida, caí em mim. Essas sacolas plásticas, potes, garrafas de água mineral e canudinhos podem perfeitamente ter saído daqui, do Rio de Janeiro, para chegar à costa espanhola no embalo das correntes marítimas. Essa baleia pode ter mastigado uma sacola que eu mesma joguei no lixo!

 

Uma baleia na Europa pode estar morrendo engasgada com sacolas plásticas despejadas no mar do Rio de Janeiro. Mudar hábitos agora faz a diferença para o planeta.

Claro que essa possibilidade é um pouquinho remota, mas os números são estarrecedores. A cada dia, um bilhão e meio de sacolas plásticas são consumidas no mundo. Quantos seres vivos estão sofrendo por causa da poluição nos oceanos? E o que podemos fazer, cada um de nós, para começar a mudar essa situação?

 

“A invasão do plástico é grave, e representa apenas a porção visível da poluição dos oceanos”, conta o oceanógrafo José Lailson Brito Júnior, coordenador do Maqua, Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. “Vivemos uma era de grave poluição química. Os oceanos estão doentes, e os animais marinhos são sentinelas ambientais.”

 

 

A onipresença do plástico, que não é biodegradável, está causando um verdadeiro cataclismo. Mas o que podemos fazer, aqui e agora? Será que a ação de cada um de nós pode mudar esse panorama? O oceanógrafo garante que sim:



"Podemos insistir na coleta seletiva e no monitoramento do destino de nosso lixo, evitar ao máximo usar plásticos em nosso dia a dia, preferindo sacolas retornáveis, evitando copos descartáveis e isopor. Se cada um fizer a sua parte, a situação muda."

O oceanógrafo também faz um alerta: além do plástico visível, estamos sofrendo com poluentes associados a micro e nanopartículas, que atraem as substâncias tóxicas, como pesticidas. Essa poluição chega ao nosso organismo e acaba virando um facilitador das doenças. “Até cosméticos trazem plástico em nanopartículas, e esse rejeito vai parar no oceano. Há pesquisas apontando que o sal de cozinha já traz fragmentos microscópicos de plástico, e os poluentes que eles carregam enfraquecem nosso sistema imunológico”, diz.

 

A boa notícia é que nós mesmos podemos reverter esse quadro. A Organização das Nações Unidas (ONU) reforça que existem ferramentas para isso. Mas todos juntos precisamos nos conscientizar do lema “pensar globalmente, agir localmente”. Uma única sacola retornável já muda os números. Um único edifício com coleta responsável evita mais poluição. É um longo caminho, mas é urgente enveredarmos por ele. Vamos começar já a fazer a nossa parte!

1 Perguntas:

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Perguntas recentes:

Rosilene Pereira

24 de maio de 2018

Pq não a obrigatoriedade da disciplina AMBIENTE desde os primeiris anos escolares até o ensini médio. Pq não a obrigatoriedade das usinas de reciclagem de lixo nos municípios?

Márcia Peltier

03 de junho de 2019

Ótima reflexão, Rosilene!

Att. 

Equipe Viva a Longevidade


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