O afeto na escrita

O afeto na escrita

Criar textos, falar de si e da vida são atividades gratificantes e até terapêuticas

23/10/2019 - por Márcia Peltier



Desde que me entendo por gente, queria contar histórias. Escrever histórias.

 

Aventuras fantásticas, narrativas poéticas, histórias da vida, flagrantes do dia a dia. Aquela mágica das palavras me dava um prazer incrível.

 

Era como se novos mundos se descortinassem, mundos que eu poderia apresentar aos meus espectadores, ouvintes e leitores.

 

 

 

Minha outra paixão precoce era a dança – paixão tão intensa que cheguei a estudar em escolas de balé inglesas e norte-americanas.

 

Mas acabei optando pela vida de jornalista, de contadora de histórias profissional. Sempre com muito amor pelo que faço.

 

Por isso gostei logo de cara do título desse livro, da jornalista Ana Holanda:  “Como se encontrar na escrita – o caminho para despertar a escrita afetuosa em você”.

 

Já conhecia o trabalho da Ana como editora da revista Vida Simples; e ela ganhou, em 2018, o Prêmio Longevidade na categoria de mídia impressa, com a linda matéria “Como envelhecer”.



A jornalista Ana Holanda desenvolveu uma técnica que batizou de “escrita afetuosa”, ampliando emoções e desenvolvendo ferramentas para que cada um se expresse pelo texto

Ana começa o livro usando a mesma frase com que comecei esse artigo – a do desejo de contar histórias.

 

Convidada para falar em um festival de ideias, decidiu contar na palestra seus achados no que chamou “escrita afetuosa”. Foi um sucesso. “Vi as pessoas emocionadas com o conceito que eu propunha, o de colocar a alma na escrita que transforma”.

 

Ela tratou de pensar numa maneira de ajudar as pessoas a encontrarem suas próprias vozes, a descobrir “o amor que existe em cada palavra”, ela diz.

 

“Se no começo quem se interessava era pessoas da área da comunicação, hoje tem gente de todas as áreas - quem quer contar a sua história de luta contra o câncer, lidar com a dor de uma perda... Tem geriatra que indica meu curso para paciente!”, conta.

 

Escrever pode se transformar num hobby, numa produção poética, numa terapia e certamente ajuda a aumentar a felicidade

É verdade: a expressão pela escrita tem, sim, potencial libertador e curativo. Mesmo nos momentos mais sombrios da vida – ou principalmente neles!

 

Ana Holanda pontua: “A escrita ocupa esse lugar, de nomear, de alguma forma, o que sentimos, e assim lidar com os sentimentos”. E quando a gente nomeia, pode dialogar.

 

Emocionante. A escrita pode tirar para dançar aquele sentimento que às vezes permanece perdido, mudo e sozinho dentro do coração.

 

E as palavras nos envolvem assim como um casaco quentinho nos envolve num dia frio, ou no melhor estilo da conversa entre amigos.

 

Taí: escrever também é um bailado, uma dança, uma harmonia de passos.

 

Uma coreografia de ideias, sentidos, impressões e sentimentos.

 

E, quando a gente decide criar novas danças, pode encher a vida de amor e luz.

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