O universo generoso da ciência que abraça a espiritualidade

O universo generoso da ciência que abraça a espiritualidade

Prêmio internacional a cientista brasileiro reforça a ideia de que a combinação de saberes amplia a nossa compreensão da vida e do mundo.

17/07/2019 - por Márcia Peltier



Quem disse que ciência e espiritualidade não convivem, não combinam, não se integram? Ou que são, digamos, times rivais no campeonato do pensamento e da filosofia? Nada mais medieval do que essa ideia. Um cientista brasileiro, aliás, acaba de ganhar um prêmio pela sua contribuição ao diálogo da ciência com a vida espiritual.

 

O físico brasileiro Marcelo Gleiser foi agraciado com o Templeton 2019, que celebra justamente as visões que combinam esses dois campos. Sabem quem também ganhou esse prêmio em edições passadas? A Madre Teresa de Calcutá, o Dalai Lama... Pois é. Poucos nomes são mais espirituais do que esses dois!

 

 

Na área científica, nosso Marcelo é uma voz muito ouvida tanto por seus pares como por nós, leigos — e se dedica muito à divulgação da ciência. Afinal, ele tem 14 livros publicados e mantinha, até 2018, uma coluna no jornal Folha de S.Paulo sobre questões e avanços da comunidade de pesquisadores pelo mundo. Está sempre espalhando conhecimento, tornando acessíveis as ideias. E o que ele disse a respeito do prêmio? “O caminho para a compreensão e a exploração científica não segue apenas sobre a parte material do mundo, mas também é uma parte espiritual do mundo.”

O conhecimento é essencial para a espiritualidade mais ampla, generosa e abrangente.

Outro cientista que expôs o vazio dessa “rivalidade” foi Carl Sagan. Ele se lançou aos mistérios da ciência e tornou-se conhecidíssimo por seu carisma e sua capacidade de comunicação. Sagan escreveu uma vez: “A ciência não é só compatível com a espiritualidade. É uma profunda fonte de espiritualidade. (...) A noção de que ciência e espiritualidade são de alguma maneira excludentes presta um desserviço a ambas”. 

 

O texto completo, do qual eu retirei a citação, menciona precisamente esses mistérios e chama de “sublime” a maneira como reconhecemos maravilhas do universo – desde as galáxias a rodar no espaço até a música que nos arrebata. Gente, basta pensar no mistério da criação da vida, qualquer vida, das bactérias até o cérebro de Einstein. Não estamos falando de religião, mas de uma abertura para as dimensões mais sutis do universo.

 

Enfim, há quem associe a espiritualidade a uma, digamos, distância do pensamento racional.  Mas me parece que Sagan diz justamente o contrário. Ele diz que, ao conhecermos a imensidão e as maravilhas do universo, nos rendemos ao sentimento de júbilo e nos elevamos espiritualmente. Ou seja, o conhecimento é essencial para a espiritualidade mais ampla, generosa, abrangente. Conhecer, estudar, mergulhar em ideias e descobertas só nos faz crescer em todos os sentidos.



Não existe rivalidade entre ciência e espiritualidade, assim como não existe “briga” entre pensamento e sentimento.

Somos, seres e planeta Terra, um somatório. De preferência, com generosidade, compaixão, empatia, usando conhecimento e esperança, pesquisa e fé, para entender, valorizar e cuidar do mundo à nossa volta.

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