Orgulho de si: é muito bom abraçar a sua própria história

Orgulho de si: é muito bom abraçar a sua própria história

Reconhecer e valorizar os nossos acertos e a beleza da vida que construímos traz força e alegria

22/05/2019 - por Márcia Peltier



Era um domingo. Um dia fresco, apesar de ser verão. Aquele céu azul, uma calma no ar. Tínhamos feito um almoço de família, e eu me vi tão feliz, cercada pelas filhas e pelos netos, tão agradecida pelo calor da família e tão orgulhosa em ter contribuído para estarmos em um ambiente de amor. Orgulho, sim, aquele carinho no coração que é verdadeiramente uma alegria pelas realizações e — por que não? — pelas sortes na vida. As bênçãos.

 

Orgulho. Só que essa palavrinha também pode carregar um significado bem diferente do afeto e da celebração. Aquela pessoa que não reconhece um erro, por exemplo, é chamada de orgulhosa. É a tal soberba, a arrogância, um amor-próprio tão intenso que beira o egoísmo.

 

 

Como dois sentimentos quase opostos são definidos pela mesma palavra? Fui pesquisar a origem, e lá atrás, nas línguas latinas antigas, o significado de orgullo é “excelência”. E é disso que a gente fala aqui: de abraçar as nossas realizações, as nossas conquistas. Das pequenas coisas aos grandes passos.

 

Orgulho é aquele carinho no coração, a alegria pelas realizações e pelas bênçãos.

O fato é que os nossos dias corridos, alucinados, às vezes provocam a sensação de que nada está bem-feito, nada está pronto, que deveríamos ter feito mais. Frustrante esse sentimento.  Mas é preciso parar e respirar, avaliar a armadilha que faz a gente cair num ciclo de exigência extrema. Afinal, se a autoexigência sem medida toma a frente, nada vai ser suficientemente bom. É a receita para uma eterna ansiedade.

 

E vi aqui um dado incrível. Segundo a recente pesquisa Longeratividade, focada nos brasileiros com mais de 50 anos, nada menos que 92% dos entrevistados se dizem orgulhosos das conquistas já realizadas. Claro, aos 50, nós já passamos por muita coisa, mas é muito importante valorizarmos o caminho que nos trouxe até aqui e as marcas que deixamos.

 

Nessa mesma pesquisa, outro dado me chamou a atenção: exatamente o mesmo percentual de quem se orgulha da vida se diz religioso, ou espiritualizado: 92%! Minha sensação é de que a espiritualidade, em qualquer linha que se traduza — religiosa ou mais filosófica, digamos assim —, traz uma visão que ajuda a colocar em perspectiva toda uma trajetória, ou mesmo as nossas relações com as pessoas à nossa volta.  Amplia o olhar nos leva além de nós mesmos e do que é imediato.

 

Pois da próxima vez que você sentir aquele calor no coração, vendo a família reunida, desfrutando o reconhecimento de um trabalho bem-feito, fique orgulhoso de si mesmo.  O carinho é combustível para seguirmos em frente, buscando – como se diz – a melhor versão de cada um.

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