Poder e beleza na maturidade

O valor da experiência e os novos recursos para manter a saúde e o bem-estar mudaram os parâmetros do mercado — sinal de força!

25/12/2019 - por Márcia Peltier



Não me esqueço desta história, que ganhou fama por aí. A atriz Isabella Rossellini, uma das mais belas da sua geração, havia sido o rosto da empresa de cosméticos Lancôme, e fora dispensada do posto ao atingir os 40 anos.

 

Em 2018, a atriz recebeu um convite para voltar às propagandas da empresa... aos 65 anos! Linda em sua plenitude, Isabella representa um novo critério do ideal físico, até mesmo porque a geração mais velha é uma consumidora muito fiel.

 

 

E vamos convir que rostos adolescentes não provocam qualquer identificação em quem já traz as ruguinhas da vivência e da experiência. De caminhos percorridos, de histórias.

 

Sim, porque a gente sabe bem: a estrada da vida não é reta nem asfaltada.

 

Aos 50, 60, 70, já passamos por apertos, caímos em buracos, tomamos sustos, sofremos perdas. Já sabemos que não nos bastamos, que é preciso trocar afeto. E que, como disse Shakespeare, há muito mais entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia.

 

Aceitamos que o mundo, os seres e o espírito têm seus mistérios. É uma paz.

A geração mais velha dos dias de hoje é uma consumidora poderosa e fiel. E o mercado valoriza isso

Tenho amigos que estão com filhos criados, um relativo conforto financeiro e tranquilidade. Chegam ao momento em que prazeres aos quais renunciaram em nome da profissão ou da família estão à mão.

 

É possível se dedicar a um hobby, a viajar, à dança, à pintura ou ao canto. Abrir um negócio. Uma segunda juventude, eu diria. Uma quebra de padrões.

Colocando de lado por um instante o fator diretamente econômico, do poder de consumo de toda uma faixa etária — destaque para a palavra poder! — a maturidade desses nossos dias atuais tem energia.

 

Ninguém fica parado num canto: há ideias, há exercício, há espaço de manobra, independência. Somos fortes, temos — de novo — poder e desejo. Homens e mulheres não abrem mão da alegria e têm muitos caminhos para superar solavancos físicos e emocionais.

 

 “Nós, mulheres de 50, 60, 65 anos, hoje somos plenas no trabalho, no amor, na libido, no desejo pela vida produtiva e feliz”

Cissa Guimarães

Eu acho Isabella Rossellini um espetáculo. Outras atrizes mais velhas, como Jacqueline Bisset e Jane Fonda, deixaram de ser relegadas aos papéis de vovó pela indústria do entretenimento.

 

A antropóloga Mirian Goldenberg faz uma observação muito interessante: “E para quem a velhice não é complicada? Para quem tem projetos de vida ou investiu em outros capitais. Por exemplo, para quem trabalha com a criatividade, como professores e escritores. Muitos descobriram na velhice a sua vocação”, afirma. De novo, atenção para o termo que ela usa: capital.

 

Se cada um de nós fizer o exercício, desde cedo, de investir na leitura e no pensamento, na disposição física e numa segurança financeira, o que nos impede de voar bem alto e com prazer depois dos 60?

 

E uma chave de ouro nesse texto: de uma conversa que eu tive com a maravilhosa Cissa Guimarães — um grande exemplo de luz, força e beleza. “Nós, mulheres de 50, 60, 65 anos, hoje somos plenas no trabalho, no amor, na libido, no desejo pela vida produtiva e feliz”, ela me conta. “As informações e os recursos da medicina para uma saúde duradoura estão aí! E se o mercado está realizando que somos importantes, é porque batalhamos por esse lugar de poder e de decisão. Aliás, quanto mais mulheres na instância da decisão, usando a emoção, melhor para o mundo”.

 

Cissa encerra contando que está vivendo uma enorme emoção: vai ser avó da sua primeira neta. “Nós avançamos nas conquistas da geração anterior, e eu tenho certeza de que a minha neta prosseguirá essa luta de amor, beleza e delicadeza.”

 

Grande Cissa!

0 Perguntas:

Pergunta enviada
para aprovação


Compartilhe: