Qual caminho vamos seguir depois da pandemia?

Vivemos uma situação extrema como espécie. Com ou sem rumo, precisamos encontrar uma integração entre nós e com o nosso planeta

12/05/2020 - por Márcia Peltier



Uma noite dessas, acordei de madrugada com a sensação estranha de que o mundo estava rodando sem rumo, como se estivesse à deriva. Na verdade, não era um sonho — estava mais para um pesadelo.

 

Enquanto me levantava para meditar e rezar (pois são as únicas formas de me acalmar), me dei conta do pensamento absurdo de um planeta sem rota, programação ou destino.

 

O mundo nunca está sem destino. Nós, seres humanos, é que muitas vezes perdemos o foco e o caminho.

 

E qual seria o caminho a seguir nessa pandemia, me questionei, já com os fones no ouvido para me concentrar na meditação enquanto procurava uma música de Reiki no YouTube.

 

Como nos fazer presentes e caminhantes quando estamos isolados em casa? Como ser útil em um período em que todas as atividades, fora as essenciais, estão praticamente suspensas?

 

 

Decidi meditar um pouco para ver se a minha mente se expandia com a concentração do nada pensar... O corpo pode estar sem movimento dentro de casa, mas o espírito, ou o Eu Superior, como você preferir chamar, não.

 

Os pensamentos continuavam a se infiltrar em minha mente e eu precisava escrever. Tirei os fones dos ouvidos e comecei a teclar no celular.

 

Estamos em um movimento ascendente de evolução, de compartilhamento de experiências de grupo, onde todos vivenciamos, em algum nível, os mesmos sentimentos.

 

A solidão, a separação, a compaixão, a privação, a falta de recursos materiais, a falta de afeto, a tensão e o desentendimento familiar, a doença, o estresse — vivemos globalmente essa situação extrema como espécie, a espécie humana, escrevi apressadamente.

 

Um caminho para a integração

 

Antes da meditação, eu já tinha rezado, pedindo alívio e proteção para os doentes, os idosos, as mulheres, as crianças e todos em situação de risco, especialmente aqueles que estão trabalhando para o bem da coletividade neste momento de crise mundial.

 

Porém os pensamentos persistiam em sair livres e determinados de minha mente para o teclado da tela do celular, interrompendo com clareza minha vontade de meditar. Então, continuei a teclar.

 

Não estamos livres como os animais, digitei. Eles voam pelo céu, nadam em rios e mares, correm em prados e savanas, pastam em campos e montanhas, sobem em árvores, exploram matas e florestas. Eles compartilham a natureza e não a destroem.

 

Afinal, eu estava escrevendo esse texto apenas como um desabafo ou para compartilhar com vocês? Os pensamentos sobre essa pandemia continuavam a se infiltrar em minha mente.

 

Com ou sem rumo, precisamos encontrar um caminho de integração entre nós e com o planeta Terra.

Sim, essa pandemia nos mostrou que os animais são livres. Eles continuam em seus habitats fazendo o que sempre fizeram. Eles habitam esse mundo, mas não se sentem donos da terra nem possuidores de nenhum direito acima dos outros.

 

Não são como a humanidade, que em sua maioria age de maneira destrutiva e dominadora. Os animais garantem a nossa existência, seja como alimento, seja como suporte emocional. Cães, gatos, cavalos, papagaios, coelhos, peixinhos dourados e outros pets são doadores de amor.

 

Sem falar da nossa necessidade de “integração com o verde”. Quem não se sente mais completo e livre ao andar na grama, na areia da praia ou em uma trilha? Quem não se maravilha ao olhar para o céu e ver estrelas, a lua prateando a noite, o sol inaugurando o dia? Quem não se encanta com o mistério e a força do mar, a mansidão de um lago ou a ligeireza de um rio?

 

Já com o dia amanhecendo, sentada, escrevendo esse texto, mais uma vez agradeci ao Criador pela graça de viver aqui, neste mundo.

 

Com ou sem rumo, precisamos encontrar um caminho de integração entre nós e com o planeta Terra. Precisamos também dar à natureza mais do que uma trégua, como acontece durante esses dias de pandemia, em que a maioria da população global está recolhida em suas casas e a economia anda em ritmo lento.

 

Precisamos amar e preservar o planeta como cuidamos da nossa própria casa: limpa, saudável e habitável. E entender que estamos enfrentando juntos a mesma tempestade.

 

Nosso planeta tem nos proporcionado incontáveis maravilhas durante milênios, e nem sempre nos damos conta de que precisamos dele para, simplesmente, existir.

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