Quando o silêncio é paz, saúde e energia

Vivemos cercados – e acostumados – com barulhos de todos os tipos. Mas a poluição sonora também faz mal à saúde. Vamos pensar nisso?

17/04/2018 - por Márcia Peltier



Na semana passada, eu estava subindo a serra fluminense de carro. Era um dia de semana, radioso, tranquilo. A cada curva da estrada, a paisagem me tirava o fôlego: montanhas extraordinárias, verde em muitos matizes, céu de azul límpido. Parei num mirante. A paz me invadiu. E percebi que havia um componente importante nessa paz: o grandioso, profundo silêncio.

 

Somos hoje um país predominantemente urbano. Aos poucos, o ruído incessante das cidades foi se instalando nas nossas vidas, sem que a gente percebesse de fato essa presença. Tráfego, construções, aparelhos de ar-condicionado e exaustores, estabelecimentos comerciais, muitas tevês ligadas. É como uma trama invisível à nossa volta. Naquele mirante, me senti transportada para outro mundo, em que a paisagem e o silêncio traziam repouso à alma e ao corpo. Quando retomei a viagem, estava como que recarregada de uma energia serena.

 

Fui perguntar a um especialista a razão desse efeito tão precioso. O cardiologista e clínico José Geraldo Moreira me conta que ruído constante ou som muito alto podem causar até problemas cardíacos, por causa da descarga de adrenalina – sem falar numa possível perda de audição, é claro. E a gente não percebe esses danos?



"A paisagem e o silêncio traziam repouso à alma e ao corpo. Retomei a viagem recarregada de uma energia serena."

“O barulho é um fator altamente estressante”, comenta o médico. “O ser urbano sofre demais com isso e pode desenvolver ansiedade, angústia e apresentar diversas reações físicas como hipertensão e úlcera gástrica."

 

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já vem alertando para danos à saúde causados pelo barulho crescente nas cidades há muitos anos. E para nós, brasileiros, um povo naturalmente festivo e expansivo, como fica a consciência de que o ruído pode ser altamente invasivo?

 

É, às vezes, não temos essa consciência. Basta ver a quantidade imensa de reclamações por causa de bares e comemorações barulhentas que as prefeituras recebem. Quem nunca passou pelo tormento de uma festa na vizinhança entrando pela madrugada, com música alta? Ou peregrinar em busca de uma solução para o exaustor do supermercado em frente? Ou mesmo ter que mudar de restaurante porque o ruído ambiente das conversas chega a um ponto insuportável?



“E para nós, brasileiros, um povo naturalmente festivo e expansivo, como fica a consciência de que o ruído pode ser altamente invasivo?”

Sejamos alegres e festivos, mas não invasivos: e, aos poucos, vamos nos conscientizando de que barulho excessivo pode ser extremamente desagradável. Não é à toa que placas em frente aos hospitais pedem que não se buzine e o retrato clássico das enfermeiras é aquele que pede silêncio. O repouso cura e restabelece. Sem quietude... não há repouso. Exercitar a empatia pode ser um crescimento importante para todos nós, como indivíduos e como grupo. E que a paz esteja sempre por perto de nós.


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Comentários recentes:

Yolanda

28 de abril de 2018

Gostei muito do texto. Gosto do silêncio o barulho me irrita.