Superidosos: um exemplo de saúde e convivência

Superidosos: um exemplo de saúde e convivência

Um grupo de 40 idosos entre 60 e 80 anos combate os desafios da longevidade, fazendo coreografias e acrobacias. O projeto de uma cidade do interior de São Paulo virou filme

27/02/2019 - por Márcia Peltier



Cícero Paredes tinha pouco mais de 60 anos quando se animou a frequentar um baile para a terceira idade em Mirassol, cidade do interior de São Paulo, uma novidade na vida do policial militar aposentado. E mal sabia ele que aqueles passos animados iriam conduzi-lo a uma mudança radical de vida.

 

“Uma parceira no baile falou do projeto Superidosos, na cidade vizinha Mirassolândia. Pensei: por que não? Quando vi, já estava fazendo acrobacias e coreografias. E hoje, aos 73 anos, estou cada vez mais contente”.

 

 

Acrobacias aos 73 anos? Pois é verdade. Na pequenina Mirassolândia, cidade pacata com cerca de 4 mil habitantes, nasceu o surpreendente projeto Superidosos, por iniciativa da prefeitura.  Isso foi há quase 15 anos. Era, a princípio, uma chamada para atividades de alongamento e expressão corporal para idosos. Só que o profissional convidado a assumir o projeto, Fagner Rodrigues, teve ideias muito diferentes.

 

Mais qualidade de vida

 

“Me apaixonei pelo local e pelo grupo de idosos”, conta Fagner, professor de artes cênicas. “Soube que havia uma competição estadual, os Jogos Regionais dos Idosos. E criamos uma coreografia. No primeiro ano, ficamos em 16º lugar, e decidimos que a vitória era nossa meta”, relembra.

 

Com determinação, o grupo passou a concorrer com coreografias ousadas e, três anos depois, foram os campeões. Daí para a frente, os Superidosos viraram atração na região, e passaram a fazer apresentações em outras cidades e participações em programas de TV. 



O desafio e o propósito melhoraram a vida de todos os participantes

“Nossa meta inicial era proporcionar mais qualidade de vida a um grupo que pode sofrer com solidão e problemas físicos”, relata Fagner. “Mas o que a gente vê é uma vibração incrível e uma melhora em todos os quesitos da vida, do emocional ao físico, com a companhia, o exercício e, principalmente, o propósito novo. O desafio virou uma identidade para todos nós!”.

 

Hoje, os Superidosos são cerca de 40 pessoas, entre 60 e 80 anos. São acompanhados por médicos, quando é necessário. Adoram o palco, a convivência, as descobertas que fazem juntos. Como todo mundo, enfrentam problemas, mas o apoio é fundamental para a recuperação e o resgate da autoestima.

 

“A saúde, em geral, agradece demais! Vemos casos de recuperação impressionante depois de um enfarte, por exemplo. O projeto mudou a cidade”, garante Fagner Rodrigues.

 

Superidosos no cinema

 

Quem também se encantou com o grupo foi o publicitário e cineasta Alexandre Estevanato, que, em julho de 2018, estava num shopping center na vizinha São José do Rio Preto e assistiu a uma apresentação do grupo. Imediatamente se mobilizou para registrar em documentário aquele fenômeno:

 

A convivência e o exercício são fundamentais para a autoestima, em qualquer idade

“Fiquei tão impressionado com a força e a alegria dos acrobatas, que fui buscar patrocínio para um filme”, diz Estevanato. “Em uma semana, tínhamos os recursos. Aos 38 anos, não faço o que eles fazem. É muito bom!”, afirma.

 

Ele acompanhou o dia a dia dos Superidosos, os ensaios, as apresentações. E constatou: é um êxtase para cada um deles.

 

“Vitalidade, jovialidade... Eles se sentem incrivelmente vivos quando se apresentam. São pessoas comuns, que vivem os dilemas do envelhecimento, mas se jogaram num prazer e numa disciplina admiráveis”, resume o cineasta.

 

O filme, de 20 minutos, estreia em 2019. Uma sensacional prova de que experimentar coisas novas e ousar sair da inércia são fatores essenciais para a saúde da gente. E, como diz Cícero Paredes, a vida é movimento:



“É libertador aprender a dançar. A gente vai para o treino, termina cansado, mas muito contente. E você não pode ficar parado!”

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