Três mulheres que atravessaram barreiras de gênero e raça

O filme “Estrelas além do tempo” mostra a história de três matemáticas fundamentais para que os norte-americanos conseguissem liderar a corrida espacial

16/03/2018 - por Márcia Peltier



Quando descobri a história de três mulheres negras extremamente talentosas, que trabalhavam na Agência Espacial Americana, a Nasa, no início dos anos 1960, fiquei impactada com a resiliência, perseverança e inteligência de que elas precisaram para superar incríveis obstáculos.

 

Dorothy Vaughan, Katharine Johnson e Mary Jackson são seus nomes, e a trajetória delas inspirou um filme marcante: "Estrelas além do tempo" (Hidden figures), lançado em 2016. Para quem perdeu no cinema, o filme pode ser alugado no YouTube e no iTunes).

 

A época era de enormes desafios para a ciência: o começo da Era Espacial, bem no meio da Guerra Fria, a disputa pelo poder mundial entre os Estados Unidos e a União Soviética. Naquele distante ano de 1961, a União Soviética estava ganhando a corrida espacial e era preciso colocar em órbita o projeto Mercury 7. Essas mulheres foram decisivas para que os primeiros astronautas norte-americanos dessem a volta por cima... do planeta Terra!

 

Mas, para essas três mulheres, o desafio acontecia todo dia. Toda hora. Dorothy, Kate e Mary faziam parte de um grupo da Nasa chamado “computadoras”, formado só por mulheres negras, todas espetacularmente hábeis em matemática de ponta. Resolviam equações e executavam cálculos complicadíssimos para definir trajetórias de satélites e naves espaciais. E elas precisaram provar que tinham o direito de estar ali. Travavam uma luta diária contra a incredulidade e o preconceito de seus companheiros de trabalho, homens brancos engenheiros espaciais.

 

 

 

Podemos ser muito mais do que as crenças limitadoras querem nos impor

Essas três mulheres são um exemplo maravilhoso de que podemos ser muito mais do que as crenças limitadoras que muitas vezes querem nos impor.

 

Elas tinham talento, pensamento estratégico e coragem. Em um mundo machista e preconceituoso, elas enfrentaram dolorosas rejeições sociais e tinham que seguir regras patéticas – por exemplo, mulheres negras não podiam beber a mesma água nem usar o mesmo toalete das mulheres brancas.

 

Precisavam correr até outro prédio, sob a chuva ou sob o sol, para alcançar o bebedouro ou ir ao banheiro. Na carreira, então... nenhuma colher de chá. Como diz uma das matemáticas, “toda vez que temos a chance de avançar, eles mudam a posição da linha de chegada”.



Precisamos encontrar essa força que existe dentro de cada um

Esse filme me emocionou em vários momentos.

 

Foi preciso muita coragem para essas mulheres enfrentarem as imposições da sociedade daquela época sem abrirem mão de seus valores pessoais.

 

Elas são um exemplo de superação. Essas heroínas não recuaram. Acreditaram nelas mesmas. Passaram por todas as adversidades com firmeza, com respeito próprio e sem perder a ternura e o bom humor.

 

E de onde veio toda essa determinação? Da certeza de que vale a pena lutar para ocuparmos nosso espaço e cumprirmos nosso destino.

 

Para isso, precisamos encontrar essa força que existe dentro de cada um de nós, pois essa coragem mora dentro da gente. E mesmo que tenhamos medo de falhar, não importa. Precisamos tentar apesar do medo, da dúvida, das injustiças e do preconceito de qualquer espécie.

 

Quando chega a nossa hora da verdade, de sermos quem pensamos ser, o passado tem que ficar para trás. Nosso olhar tem que ser o aqui e agora, sabendo que o resultado vai estar nos esperando no futuro.

0 Perguntas:

Pergunta enviada
para aprovação


Compartilhe: