Uma aula sobre a felicidade

A busca por bem-estar e plenitude é tema de cursos em universidades no Brasil e no exterior

01/05/2019 - por Márcia Peltier



Ah, a tal da felicidade... Quem de nós não quer ser feliz? Mas, se a felicidade é um sentimento facílimo de entender e reconhecer, é também muito difícil de definir. Afinal, ela pode ter as mais diferentes manifestações em cada um de nós e pode mudar ao longo das nossas vidas. Bem-estar, propósito, produtividade, diversão, fartura, alegria, comunhão, visão espiritual... Ser feliz é tudo isso e mais um pouco?

 

Pois os estudiosos vêm se debruçando sobre a ideia de felicidade para entender melhor essa busca tão comum aos seres humanos. Nos Estados Unidos, a pesquisa sobre o tema é referencial: a Universidade Harvard, instituição de prestígio acadêmico, mantém um projeto sobre o assunto desde — acredite — os anos 1930. E ele prossegue: são 80 anos acompanhando a procura de realização de milhares de pessoas.

 

 

No Brasil, já há universidades oferecendo disciplinas que examinam a vivência e a experiência de ser feliz. As primeiras e pioneiras foram a Universidade de Brasília e a UniVali.  Mas elas já não são as únicas.

 

“Esse estudo de Harvard já tem uma conclusão muito sólida”, explica o professor Robson Freire, mestre em administração de empresas e gestão de pessoas, que desde 2018 ministra essa cadeira na Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

 

“Levantou-se, estatisticamente, que a felicidade está na troca, no compartilhamento e na manutenção de relacionamentos saudáveis. E eu digo isso mesmo: que a felicidade é coletiva”, diz Freire, dando o exemplo de uma pequena vila japonesa, Okinawa, onde há um recorde de centenários ativos, que vivem cotidianamente a troca de favores, de alimento, de apoio, de emoção.

 

“Essas pessoas sabem que dependem umas das outras. E todos nós dependemos uns dos outros”, prossegue. “É importante lembrar que o autoconhecimento tem um papel fundamental nessa busca. De que outra maneira poderíamos equilibrar prazer e propósito, a não ser nos conhecendo e procurando conhecer o pensamento de tantos filósofos e pensadores?”

 

O autoconhecimento é essencial nesse processo de descobrir o que faz sentido na sua vida.

A Universidade de Brasília também tem uma disciplina sobre a felicidade. As aulas são conduzidas por Wander Pereira, que tem uma formação muito versátil — de história e psicologia a engenharia de software. De saída, ele crava que a felicidade absoluta é “uma ilusão”.

 

“Há momentos felizes e, principalmente, uma percepção dessa felicidade. Digamos que seja mais uma caminhada do que uma chegada”, diz. “Tristezas, decepções, tudo isso é inevitável, mas se você tem uma boa percepção desse fluxo como um todo, encara a vida com positividade.”

 

Os dois mestres afirmam: o autoconhecimento é essencial nesse processo de descobrir o que faz sentido na sua vida. Pereira lembra que existem até “testes” de felicidade, como o da Universidade da Pensilvânia (em inglês e é preciso se cadastrar). “Mas o sentimento é sempre subjetivo. Sabemos que a felicidade está nas boas vivências, na descoberta do significado e no engajamento em atividades que tenham sentido para cada um.”

 

Talvez, como disse o poeta espanhol Antonio Machado, “caminhante, não há caminho; o caminho se faz ao andar”. Mas há, com certeza, uma excelente sinalização na estrada para a felicidade. É a sabedoria de pensadores, investigações de pesquisadores e, principalmente, a certeza de que uma boa convivência consigo mesmo e com os outros é uma fórmula certeira. Cultivando todo dia, essa flor dourada estará sempre por perto.

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