Vozes unidas e coração leve: como é bom cantar em coral!

A prática da música em coro tem todas as vantagens, do prazer à melhora da respiração e da memória. Sem falar na convivência criativa!

06/11/2019 - por Márcia Peltier



No último mês de julho, o coral de jovens do colégio carioca São Vicente de Paulo chegou a um grande feito.

 

Inscritos no festival internacional de coros Summa Cum Laude, em Viena, arrebataram o primeiro lugar. Detalhe: cantando uma peça de Mozart, na terra do compositor!

 

Foi uma apresentação delicada e arrebatadora, e vale a pena ver aqui. Fiquei orgulhosa! Ouvi o grupo também cantando Águas de Março, de Tom Jobim, e me emocionei.

 

 

Quem regeu esse coral vencedor – que tem 34 integrantes entre 12 e 25 anos – foi Patricia Costa, que faz esse lindo trabalho há 26 anos.

 

Ela viu a sua dedicação florescer na consagração desses meninos e meninas que interpretaram o Ave Verum de Mozart.

 

“O canto coral brasileiro é uma tradição linda, espontânea e, ao mesmo tempo, impressionante, do ponto de vista técnico e da musicalidade”, conta ela. “Cantar em coro é um exercício de generosidade, de compartilhamento, da escuta do outro. A dinâmica do trabalho do coral passa pelo resultado coletivo, em que cada um é muito importante.”

 

Pois é. Vieram à minha cabeça as frases de Djavan numa de suas canções mais conhecidas:

 

“Cantar é mover o dom / do fundo de uma paixão / Seduzir as pedras, catedrais, coração”.

 

Pois o assunto aqui hoje é cantar, e cantar em coro. E, de fato, cantar é mágico.

 

Cantar em coro é um exercício de generosidade

Patrícia Costa

Eu falo de cadeira: nos últimos meses, venho soltando a voz num coral do meu clube!

 

Vivo as emoções da música e da convivência com amigos, todo mundo somando vozes.

 

Meu coro é de gente mais madura e, além da música, aproveitamos os maravilhosos exercícios vocais e respiratórios que fazem muito bem.

Palavras da nossa regente, Cecilia Spyer: “Trabalhar a voz e cantar dá prazer, melhora a qualidade de vida. Promove bem-estar, facilita a expressão, a memória, a comunicação, a socialização e lida com a cognição. Essa abordagem das partes física, social, espiritual é um poderoso caminho para o autoconhecimento."

 

Ou seja, não tem contraindicações!



No coral, cada um contribui para a harmonia. E todos ganham muito, inclusive nas relações humanas.

Tenho amigos que participam de corais de empresas, escolas e faculdades, ou de grupos independentes que se reúnem pelo prazer de cantar. 

 

Um exemplo é a jornalista Claudia Noronha, cuja família tinha muito amor à música.

 

“Quando eu tinha 17 anos, uma amiga, a Lucinha Morelembaum me chamou para participar do coral regido por seu irmão Jaques, na Associação Scholem Aleichem”, lembra Cláudia. “Eu adorava. Nunca tive pretensões de ser solista ou "seguir carreira". Meu barato sempre foi me sentir dentro da harmonia, fazer parte. É um momento mágico, em que me desligo de tudo e entro no universo da música, numa atividade coletiva, onde cada um de nós contribui para a harmonia do grupo. Bom demais”, vibra a jornalista.

 

Claudia completa assim o seu pensamento sobre cantar em coro:

 

“Mergulhar no universo musical de modo coletivo, ‘dentro’ da harmonia, emociona e fortalece o sentimento de grupo, de coletivo, em um mundo extremamente individualista.”

 

Uma vez ouvi o provérbio chinês que dizia: “Se um homem tem um pão e troca com o seu vizinho, cada um fica com um pão. Se ele tem uma ideia e troca com o vizinho, cada um fica com duas”.

 

Acho que cantar em coro, por puro prazer e amor à música, é mais ou menos como trocar ideias. A gente sai com a música multiplicada, coração leve, muito mais felicidade e realização.

 

Então, vozes unidas e mãos à obra! 

0 Perguntas:

Pergunta enviada
para aprovação


Compartilhe: