Robson Caetano - Como você preenche o vazio deixado pela derrota?

Como você preenche o vazio deixado pela derrota?

Conhecer a si mesmo e até fazer uma atividade física nos ajuda a superar a tristeza causada pelas perdas

15/03/2019 - por Robson Caetano



Quando perdi minha bisavó, que me criou para ser um vencedor, eu me senti um derrotado, pois eu a acompanhei até os seus últimos momentos de vida sem nada poder fazer.

 

O que significa a derrota? Qual vazio precisa ser preenchido quando a enfrentamos? Ao longo do tempo, perdemos algumas brigas, mas encontramos consolo no velho ditado que diz que “perdemos a batalha, mas não a guerra”. Hoje, eu honestamente posso afirmar que as batalhas perdidas e as derrotas acumuladas nos preparam para os novos desafios. É assim na vida e no esporte.

 

 

O esporte me deu a chance de poder preencher as lacunas que se abriram com as perdas e me colocou mais perto de Deus. Fazer atletismo, vôlei, basquete, voo livre, golfe, stand up paddle, paraquedismo, pedalar ou simplesmente praticar um esporte, tudo isso me abriu novos horizontes. Uma nova perspectiva se instalou no lugar da incerteza.

 

Você já percebeu que algumas coisas nos salvam quando entramos naquele estado de tristeza por causa de uma derrota?

Mas será que fazer uma atividade física com certa frequência nos ajuda a manter a mente em ordem? Para tentar responder a essa pergunta, vou citar dois exemplos.

 

O primeiro é o de um atleta de alto rendimento, Willian Frederick Carlton Lewis, ou simplesmente Carl Lewis. Depois de conquistar quatro ouros em Los Angeles, ele chegou aos jogos de Seul, em 1988, muito triste com a perda do pai, Mr. Bill, que sempre o incentivara na prática esportiva.

 

Eu me lembro de uma entrevista na qual ele dizia que queria muito vencer a prova dos 100 metros para homenagear o pai, que era velocista. Quando ele perdeu na pista para Ben Johnson, ficou nítido em sua fisionomia a profunda decepção. Mas, apesar do ocorrido, ele esteve em mais dois jogos olímpicos e conquistou outras cinco medalhas, quatro delas de ouro.

 

O segundo exemplo é o de uma anônima, a dona Freitas. Eu sei da sua força interior: era uma menina obesa e passou a correr pelo menos 12 km todas as terças, quintas e sábados, além de fazer atividades localizadas às segundas, quartas e sextas. Ela perdeu recentemente o pai, e me disse que quando está em suas corridas, encontra muita paz de espírito.

 

Eu mesmo encontrei nas atividades lúdicas uma resposta direta para curar meu sofrimento.

Com uma tristeza profunda, ela até escreveu “3 remédios para curar maus momentos: o silêncio, o tempo e a música”. Eu incluiria a atividade física: apesar de passar por um período de luto, ela está encontrando no esporte as respostas para se manter motivada para a vida.

 

Eu mesmo encontrei nas atividades lúdicas uma resposta direta para curar meu sofrimento. As brincadeiras e as atividades melhoraram minhas intenções e me levaram ao encontro do esporte de alto rendimento — e, inevitavelmente, a outras derrotas, que se tornaram tijolos para erguer um muro no qual está escrito: “sucesso por meio da atividade física”.

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