Por que eu acho que o meu recorde vai cair

É chegada a hora de alguém correr abaixo dos 10 segundos nos 100 metros rasos. Recordes foram feitos para serem quebrados

10/07/2019 - por Robson Caetano



O recorde mais emblemático na minha carreira é o recorde brasileiro e sul-americano dos 100 metros rasos. Lá se vão 32 anos do dia em que eu corri 10 segundos cravados (que na verdade foram 9,99 segundos, mas isso é outra história) na final da prova mais nobre do atletismo, no Ibero-Americano de 1988. Mas essa marca está com os dias contados.

 

É chegada a hora de ela cair, e acredito que, se isso não acontecer neste ano (agora, já no Pan-Americano em Lima), com essa geração de talentosos velocistas — campeões do mundo no revezamento 4x100 m —, não passará do ano que vem, nos Jogos de Tóquio.

 

 

Paulo André de Oliveira, que fez 10s02 em uma prova de abril deste ano é, para mim, aquele que está mais próximo de baixar essa marca. Estive com ele em junho antes do seu embarque para o Mundial Universitário (em que ele foi campeão, diga-se). Fiquei emocionado ao saber que também fui inspiração para ele e senti que ele está mais do que preparado para superar a barreira dos 10 segundos



Recordes foram feitos para serem quebrados, é a evolução natural de uma prova.

O que eu senti quando bati o recorde

Quando cruzei a linha de chegada daquela prova, em julho de 1988, existia um enorme tabu contra os atletas velocistas do Brasil. Esse “preconceito” e as enormes dificuldades da época (condições precárias e pouco apoio) eu derrubei com as minhas marcas, e uma delas foi essa pela qual eu tenho tanto carinho.

 

Esse foi um recorde programado para acontecer no momento certo, pois foi trabalhado para que eu chegasse naquela competição entrando em forma para os Jogos de Seul, que seriam dali um mês e meio. Eu teria de estar muito próximo da minha perfeição. E assim foi feito.

 

Eu não tinha noção do quão veloz eu estava, muito menos se quebraria o recorde, mas de uma coisa eu sabia: que iria correr bem. Eu acordei num daqueles dias em que nada me incomodava, afinal, eu já era recordista sul-americano com 10,02 segundos, então, se chegasse próximo dessa marca, já estaria bom.

 

Nunca pensei que uma simples marca no tempo viraria até um programa de TV. Já se foram mais de 30 anos desde aquele dia, gerações de velocistas passaram, e eu continuo aqui na torcida para que um corredor talentoso se supere, e assim ultrapasse o que ficou congelado no tempo.

 

Em breve, o meu nome será colocado em segundo, terceiro, quarto, no ranking histórico dos 100 metros. Mas assim é a vida. O mais importante não é o quanto mais rápido você corre e sim o prazer de toda essa caminhada. Olhando para trás, eu vejo que valeu muito a pena. Graças ao atletismo, eu consegui coisas incríveis para a minha vida, e hoje estou aqui falando para vocês tudo de bom que o esporte e a atividade física podem proporcionar para cada um.

 

Um grande abraço!

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