Robson Caetano - Você sabe o que é “bolha”, no esporte?

Durante as atividades físicas com duração prolongada, as pessoas acabam entrando uma fase conhecida como steady state, ou estado estável. Vou contar aqui como isso acontece

17/01/2020 - por Robson Caetano



Nas provas de rua, de ciclismo, ou em jogos longos, em que é exigida do atleta atenção total, o praticante chega a um momento de steady state, que eu costumo chamar de bolha ou cruze control. Ele acontece quando as altas descargas hormonais despejadas no corpo começam a provocar uma sensação de torpor, uma espécie de processo automático de repetição.

 

Essa sensação é normalmente causada pela endorfina, ligada à percepção de bem-estar. Com ela, mesmo cansados, nos sentimos motivados a continuar a atividade – por isso, aliás, é importante tomar cuidado com o exagero.

 

Quem não lembra do Vanderlei Cordeiro de Lima, que liderava a prova da Maratona em Atenas, em 2004, quando, de repente, um homem o segurou.

 

Naquele momento da prova, Vanderlei estava em um nível máximo de concentração e executava os movimentos de forma muito orgânica, liderando a prova com mais de 30 segundos de vantagem, o que é uma eternidade numa prova como essa.

 

 

Eu me lembro de perguntar ao Vanderlei qual é a sensação de ser interrompido, de ter a sua bolha invadida. Ele me respondeu: “A única coisa que eu pensava era: preciso seguir, preciso seguir, ainda não acabou”.

 

Então, ele não tinha saído da bolha, do seu foco? E ele disse: “No primeiro momento, eu estava cansado e quase desisti de tudo. Tive o apoio de pessoas que me colocaram de volta na prova, e isso foi fundamental para eu não desistir”.

 

A minha conclusão foi de que o caminho que o cérebro faz para alcançar os membros inferiores teria que ser redesenhado para uma nova realidade do corpo do atleta.

 

Apesar de liderar com tanta folga, havia o cansaço de já ter percorrido 30 quilômetros de uma prova muito dura. Mas esse redesenho encontrou um atleta tão condicionado, que a terceira colocação foi um fator menos importante do que concluir a prova.

 

Com uma ligação direta com a satisfação por estar numa atividade e com o cumprimento de metas, a endorfina tomou conta da situação e fez a chegada possível.

 

É incrível como o poder de se manter concentrado faz a diferença. O ser humano se adapta a toda e qualquer situação, e o foco no objetivo nos leva a esse estado de graça, que eu chamo carinhosamente de bolha esportiva, ou transe esportivo, ou estado de conforto.

 

Ninguém pode levá-lo a lugar algum a não ser você mesmo. Entenda as suas limitações e trabalhe para se superar.

 

Um abraço!

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